Cuba gesta grandes cambios y la aparición de la blogsfera apunta a una nueva generación nacida a partir de 1970
Nuestro amigo Augusto de Franco (ver contextopedia), me envía este artículo aparecido hoy en la Folha de Sao Paulo sobre el papel de los blogs en los cambios sociales y políticos que ya brotan en Cuba.
Nova geração de opositores está na internet
Yoani Sánchez comanda blog que fala aos jovens que nasceram nos 70 e 80, período de forte presença soviética na ilha. Por causa do custo, ela escreve off-line e só entra na rede para colocar posts no ar; mensagens chegam à Universidade de Havana
LAURA CAPRIGLIONE, Folha de São Paulo (26/02/08)
ENVIADA ESPECIAL A HAVANA
Ontem, em seu discurso de posse, Raúl Castro disse pretender acabar com algumas gratuidades insustentáveis, referindo-se a itens da libreta de racionamento. A frase me mobiliza a lançar uma proposta. Troco as três libras de açúcar, os 3 kg mensais de arroz e o pacote de café que me dão no mercado racionado por uma dose de liberdade de expressão, alguns gramas de direito de associação, um par de colheres de livre opinião e até por uma porção pequenininha de possibilidade de decidir. Seria o que eu mais teria gostado de ouvir.
Raúl Castro, desde anteontem o novo chefe de Estado cubano, têm uma nova geração de opositores para enfrentar. Eles põem a cara para fora, comunicam-se via internet, constroem blogs bem-humorados e dizem coisas como a que abre esta reportagem.
A provocação está no blog Geração Y, mantido pela filóloga Yoani Sánchez, 32. Ontem, o blog, em cuja página pode-se ler o perfil de Yoani, conseguiu bater seu próprio recorde em dois anos de existência. Foram 900.000 hits no mês em que ela bateu mais forte no governo -o da renúncia de Fidel.
Nomes com ípsilon
Yoani define Geração Y: “É um blog inspirado em gente como eu, com nomes que começam ou contêm ípsilon. Gente nascida na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas no campo [todos os secundaristas foram mandados para escolas rurais], os bonecos russos, as saídas ilegais e a frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky e outros que arrastam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam.”
Geração Y é o blog das pessoas que nasceram ou foram educadas na Cuba hegemonizada pelos burocratas russos, bem antes da queda do Muro de Berlim (em 1989).
A reportagem da Folha foi encontrar Yoani em um apartamento construído pelo regime castrista para resolver o problema habitacional na ilha nos anos 70 e 80. Reinaldo Escobar, 61, jornalista e marido de Yoani, trabalhou quatro anos na construção do prédio, no bairro de Novo Vedado, concentração de profissionais de nível superior.
Para subir ao 14º andar, onde moram Yoani, o marido e o filho de 12 anos, tem-se de apertar o 11º andar na botoneira do elevador de fabricação russa. Desce-se no piso 13º e sobe-se mais um andar de escada.
Yoani e seu marido não conseguem emprego fixo. “Ele acreditou na glasnost e na perestroika (abertura política e reestruturação econômica) que estavam em vigor na Rússia soviética nos anos 80. Escreveu artigos críticos e perdeu o emprego no “Juventud Rebelde”, onde trabalhava. Teve de aceitar um emprego como mecânico de elevadores, onde atuou por três anos.” Hoje, os dois dão aulas de espanhol para estrangeiros em Havana.
“Economia de conexão”
O blog Geração Y é chamado de “balsa virtual” por alguns de seus leitores -em referência às balsas precárias que levam cubanos para os EUA. Mas o pessoal é mais bem-humorado do que a tragédia dos “balseros” pode dar a entender. Eles chamam, por exemplo, o presidente venezuelano Hugo Chávez de “Ego” Chávez, Raúl de “Hermaníssimo” e de “Castro 2º”.
Yoani diz-se especialista em “economia de tempo de conexão”. “Eu não navego na internet, não faço pesquisas. Escrevo off-line todo o tempo e só me conecto para pôr meus posts no ar. Um cartão de 6 pesos conversíveis (R$ 12), que me dá direito a uma hora de conexão, permite que eu me conecte seis vezes e ponha no ar seis posts diferentes.”
Na Universidade de Havana, estudantes replicam o blog também off-line, copiando os posts e reproduzindo-os em computadores fora de linha com o auxílio de pendrives. “É claro que isso restringe muito o debate. Mas é questão de tempo”, diz Yoani. “É impossível controlar a internet.”
A blogueira diz que os dois cybercafés franqueados aos cubanos são uma conquista em favor da livre discussão. Também reconhece que não vem sofrendo ameaças nem intimidações por parte do governo, apesar da transparência de seu blog. “Vamos ver até quando dura isso.”
Sobre o futuro imediato e as promessas de Raúl Castro de levantar nas próximas semanas algumas proibições que perturbam a vida dos cubanos, Yoani faz suas apostas: “Eles permitirão o funcionamento de algumas pequenas empresas privadas, a compra e venda de automóveis novos [atualmente, só os carros velhos podem ser comercializados], eliminarão a permissão de saída [que impede os cubanos de viajar para o exterior caso o governo não queira] e permitirão que os cubanos se hospedem em hotéis de turistas [hoje, os cubanos só podem se hospedar em colônias de férias vinculadas a suas categorias profissionais]“.
“Cuba vai mudar”, diz ela. “Isso é certo. O problema é que não queremos mais esperar.”
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